12 de outubro de 2009

A guerreira

Existem muitas maneiras de se comportar quando se está em uma situação normal,
mas quando alguém está sozinho, em perigo, na escuridão, só existe uma maneira:
o caminho do guerreiro.


No caminho do guerreiro, mulheres não se sentem grandes.
Porque grandes marés caem furiosamente.
No caminho do guerreiro, mulheres são a fúria.
Elas permanecem furiosamente impassíveis sob qualquer circunstância.
Elas não exigem nada e, ainda assim, estão prontas para dar qualquer coisa de si mesmas.
Elas procuram furiosamente um sinal do espírito das coisas na forma de palavras ou de um simples gesto e, quando conseguem achá-lo, expressam sua gratidão redobrando sua fúria.
No caminho do guerreiro, mulheres não julgam.
Elas se reduzem furiosamente a nada para poder ouvir e ver; só assim poderão vencer,
Sendo humildes pela sua conquista, ou perder, sendo realçadas pela sua derrota.
No caminho do guerreiro, mulheres não se rendem.
Elas podem ser derrotadas milhares de vezes, mas nunca rendidas.
No caminho do guerreiro, acima de tudo, as mulheres são livres.


Sob uma situação de vida não familiar, descobri que não se render significa liberdade, que não se sentir como uma pessoa grande desenvolve uma força indomável,
E que sobrepujar julgamentos morais proporciona uma humildade confortante que não é servidão.


(A Bruxa e a Arte do Sonhar - Florinda Donner-Grau)


8 de outubro de 2009

Último brinde


Bebo ao lar em pedaços,
À minha vida feroz,
À solidão dos abraços
E a ti, num brinde, ergo a voz...
Ao lábio que me traiu,
Aos mortos que nada vêem,
Ao mundo, estúpido e vil,
A Deus, por não salvar ninguém.
(Anna Akhmátova 1934)




6 de outubro de 2009

Enigma - Principles of lust (Find love)




Gosto... Muito sensual...

5 de outubro de 2009

Acalma-te...


Às vezes, quando falo de teu corpo, é porque já amo a tua essência.
E se falo é porque o desejo.
Mas daqui a pouco vens me falando em forma de cânticos.
Ansiosa sou e assim me deixas.
Ah! esse teu jeito me mata e me deixa a pensar tantas coisas...
Não se esqueça de falar de coisas que sentes vontade.
Siga teus impulsos naturais.

Acalma-te...

(Luiz Maia - Adaptado por Morgana)

2 de outubro de 2009

Dá medo


Dá medo...

Das incertezas do dia seguinte
Do viver sem sentido, sem razão
Da monotonia das noites vazias
Sem esperança ou motivação

Dá medo...

De perder as palavras totalmente
E romantismo nelas não mais haver
Dos pensamentos não te alcançarem
E dos meus olhos, você esquecer

Dá medo...

De não achar refúgio nas tempestades
E nas revoltas ondas do mar dolente
Sofrer a angústia torpe de perceber
O frio cortante no seu olhar ausente

Dá medo...

De sufocado e envolvido pela culpa
O amor ser varrido totalmente
E nossos sonhos serem todos banidos
E levados de nós pelo vento quente

Dá medo...

De nossas almas fadadas ao exílio
Em cem mil dias de solidão
De lágrimas vertidas, inutilmente.
De sentir frio e vazio o coração.

Dá medo...

De no limiar da minha vida concluir
Que o anoitecer esperado foi esquecido
Que a porta sempre aberta não existiu
De nas suas madrugadas, eu nunca ter existido!

Dá medo sim!


(Glória Salles)

1 de outubro de 2009

...



"A dor vai curar estas lástimas, o soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte, a dor vai fechar estes cortes."

(Titãs)

25 de setembro de 2009

Luto eterno




"Qual uma criança desmamada sobre o seio de sua mãe, qual uma criança desmamada está a minha alma para comigo" — Salmo 131
Madreminha, dócil madreminha,
dá-me tuas mãos, agora és tão menina.
Cada ano que passa vais diminuindo
e eu vou ficando cada vez maior na tua saudade.
Vem comigo.
É a minha hora de guiar-te.
Tu esqueceste o caminho quando em mim passaste.
Eu passo agora elucidando o olvido.
Madre, a vida é simples chão difícil.
Estamos num árduo labirinto
de uma saída livre e múltiplas esquinas.
Mas já não há perigo.
Eu te dirijo com minha bússola
instruída imantada nas estrelas
que jorraram das feridas
quando o céu da infância desabou de mim.
Mãe: cresci.
Tu, sim, ficaste sempre ingênua, arisca, intuitiva.
Madremenina. Madrefilha.
Não me ensinaste a ler porque não lias.
Mas na cartilha em que aprendeste a rir
soletraste em minha origem as palavras vitais de tua ciência:
alegria, pureza, infância, vento;
e me deste o empirismo das flores, dos astros, do silêncio;
e me agitaste nas veias o ritmo das coisas e dos seres.
(...)
Madreminha, eu sei:
a vida é perfumada por espinhos.
Sabes disso. Já o sabias
quando calçando os pés com meu cilício
alfombraste de aroma o que doía em meu ritmo.
Madre: já não há que imunizar meus olhos de sua vista.
Agora eu sei como ela é assustadoramente bela a vida:
alegre na periferia de sua polpa triste.
Sabes disso. Já o sabias
quando acariciaste meu sopro de cruz em teus ouvidos
e devolveste em cantiga o que te dei em grito.
(...)
(...)
Madre: ouves-me?
E reconheces em meu canto a tua agonia?
É minha vida. Inédita, exclusiva, a minha vida.
Ela gritou quando calei em ti e agora a angústia é minha.
Mas que digo? Oh madre-sensitiva, a angústia é minha?
Mas são teus olhos que eu pressinto duas fontes de sangue,
rubro rio transbordando em meu rosto
com delírio ao sorver esta secura ardente de meu riso
e a canção adusta nas feições tranquilas.
(...)
Tímida-mãe-poesia:
nunca tiveste essa ousadia
de verter em canto teus sonambulismos
ou de lançar ao vento
como desafio uma orquestra de êxtases cadentes.
Mãe, eu tive.
Por isso tu sorris quase com medo desta filha
que descobriu em teu organismo
uma latência de revolta lírica.
Estavas tão só com o teu silêncio
e essa fervente ânsia de explodir-te.
Bati à tua porta e disse:
Eis-me aqui. Eu te redimo agora.
Dorme.
(...)
(Ilka Brunhilde Laurito)

Saudades de um tempo que não voltará nunca mais...
Tristeza, lembranças, sensação de impotência, arrependimento, revolta...
3 anos... E essa dor não passa...


23 de setembro de 2009

Criança



Cabecinha boa de menina triste, de menina triste que sofre sozinha,
que sozinha sofre, — e resiste,
Cabecinha boa de menina ausente,
que de sofrer tanto se fez pensativa,
e não sabe mais o que sente...
(Cecília Meireles)

Lembranças...
Saudade...
Nuvens de um período sombrio
voltam a me atormentar...

22 de setembro de 2009

Primavera

Mesmo que semeadas nas sombras,
Regadas com lágrimas,
Floresçam...
Do pranto
Da inquietude
Do desamparo e solidão...
Das incertezas e frustações
Da perda de esperança...
Das feridas em nossos corações
Renovem cada estiagem e tempestade.
Floresçam rompendo o frio, e colorindo a tristeza que se mostra na flor da idade.

(By Morgana)





19 de setembro de 2009

Por amarte tanto


No quiero a volver a soñar despierto
Y a ver un oasis en el desierto de tu corazón
Soy tan sólo un peón para ti
Y a veces grito al cielo por tu pelo
Me muero por dentro me mata el silencio
De tu corazón
Y a veces cae la noche y me desvelo
Casi al mismo tiempo que pierdo, yo el sueño por amor
Y por amarte tanto muero yo
No quiero volver a las ilusiones
Soy como espejismos que hacen que te vea como quiero yo
Y la realidad no es así
Por mucho que quiera cambiar no puedo
Me has mentido tanto, has secado mi llanto
Cogiste el pie cuando te di la mano
Rompiste mi vida, me abriste una herida.
(Melendi)