5 de maio de 2010

Tateio...




...A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.
Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.
Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio.
Passeia sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.

(Hilda Hilst)

2 comentários:

Merlim Thy Vamp disse...

Oi, Menina Loba...

Não venho aqui te visitar faz um bom tempo... mas é sempre um deleite quando venho

Danilo Brandão disse...

''Ai, ai de mim. Enquanto caminhas

Em lúcida altivez, eu já sou o passado.''

Não és passado, mas um infinito presente!