29 de novembro de 2012

E...



E da janela do quarto, vendo uma vida de estrelas passarem por seus olhos,
algo lhe dizia:
- Tá vendo aquele mundo la fora?
É seu, vai pegar!

(CFA)  

28 de novembro de 2012

“Vitimismo”- Saindo da mentalidade de vítima



Vitimismo é um comportamento infantil aprendido na infância e mantido depois de adulto que caracteriza uma personalidade que tende a considerar-se como uma vítima das ações negativas de outros. Pensa, fala e age como se fosse esse o caso - mesmo com ausência de clara evidência. Pensamento egocêntrico ao extremo.

Vitimismo é um aspecto em que as pessoas negativas focam no problema (se houver) ao contrario da busca de soluções, dificultando a solução, criando conflitos desnecessários. A mentalidade de vítima pode manifestar-se em uma série de comportamentos diferentes ou maneiras de pensar e se expressar, do tipo:

Culpar terceiros por uma situação que ela mesma criou, mas não deseja admitir.
Falta responsabilidade em assumir seus atos, esperando sempre que alguém o faça por ela.
Sente profunda pena de si provocando um sentimento de piedade do outro. Não se dáao trabalho “sujo” (todo trabalho é sujo, inferior e não condiz com seu status)

Mentem com muita facilidade sobre tudo. Pessoas com mentalidade de vítima desenvolvem argumentos convincentes e sofisticados em apoio a suas ideias e acreditam tanto nisso que podem até convencer um público ingênuo. Estão sempre na defensiva. Rejeita sugestões ou críticas construtivas. São incapazes ou relutantes em considerar o ponto de vista de outras pessoas. Subestima ou influência uma determinada situação.

A mentalidade de vítima pode ser refletida por marcadores linguísticos. Tende a dividir as pessoas em rótulos como "bandidos", falsos, aproveitadores, invejosos. Suas frases começam com "Eu não posso”, “não consigo fazer”. “Eu não devo”, “eu não tenho sorte”, “comigo tudo dá errado” ou “nada dá certo”, “tudo fica nas minhas costas”, “ninguém me ajuda”.

O vitimismo leva a Insatisfação com tudo que o cerca e definitivamente negligente com suas responsabilidades se coloca ainda mais para baixo do que os outros supostamente o fazem, para ganhar apoio e aliados, dos que pensam como ele, o que não é uma tarefa difícil. Não corre riscos para não ser responsabilizado ou descoberta sua verdadeira intenção, a de manipular o ambiente a seu bel prazer como uma criança de 3 anos querendo atenção.

Pare de se queixar
A maioria das coisas que acabam dando errado começa a se materializar quando nos lamentamos porque ela se torna foco - e tudo aumenta e ganha poder onde damos atenção! Quando você reclama, se lamenta, tal qual um imã, você atrai para si toda a carga negativa de suas próprias palavras.


Laura Botelho

24 de novembro de 2012

Para ser amigo de si mesmo




"Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições do espírito. A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que bons amigos fazem: perdoam.

Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor. Como ainda há quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abrão Slavutsky: "Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza". É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.

Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto "ser amigo de si mesmo".

Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha "sou rebelde porque o mundo quis assim". Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância. Quem não consegue sozinho, deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca cerca de 2.000 anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo."

(Martha Medeiros)


21 de novembro de 2012

As mãos do amor




"não que eu tenha medo
não que eu seja insegura,
mas dar minhas mãos as tuas
é só para unir meu corpo no teu
quando andamos pelas avenidas
quando nenhuma cortina encobre
quando a cama são as calçadas
se o teto é qualquer lua
se a morada é qualquer rua
o amor é feito as claras
das mãos se dando, nuas"

(Cáh Morandi)

11 de novembro de 2012

Me busco em músicas que dão ritmo ao que sinto...



...de forma silenciosa e me busco em trechos de livros que revelam ideias que mantenho ainda embaralhadas. (...) Me busco quando me aquieto pra escutar meus pensamentos, que não são retos, certos, fáceis, e sim espasmódicos, contraditórios, provocativos, ora estão ao meu favor, ora estão contra, e por isso me desencontro. Então escrevo, me busco em frases feitas e frases inventadas, colocando uma palavra atrás da outra na tentativa de construir uma lógica, um atalho, uma emoção que eu consiga sustentar e repartir, e depois fecho o computador me busco no sono, nos sonhos, no inconsciente, do meu lado noturno, sombrio, quando perco a coragem e tudo me amedronta, a começar pelo fato de que o dia terminou e a busca não se encerrou, nem irá, porque esse tipo de busca não se encerra.

(Martha Medeiros em Coisas da vida)

2 de novembro de 2012

Prêmio Dardos



Fiquei lisonjeada ao receber da Satine, do blog In Vitro, o Prêmio Dardos. Obrigada pelo carinho, seu espaço é lindo e sinto-me honrada e feliz por sua presença.
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O Selo Prêmio Dardos foi criado pelo escritor espanhol, Alberto Zambade que em 2008, concedeu no seu blogue Leyendas e el pequeno Dardo, o primeiro Prêmio Dardo, ofertado por ele a quinze blogues, depois os blogues que receberam o Prêmio deveriam indicar outros blogues e assim o Prêmio se espalhou pela internet.

"Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras".
(Alberto Zambade)

O Prêmio tem as seguintes regras: 

1- Exibir o selo; 
2- Linkar quem o premiou;
3- Escolher outros blogues para indicar o prêmio;
4- Avisar os escolhidos.

Os meus eleitos são: 










1 de novembro de 2012

O Sol




"Quando as coisas são feitas com consciência, tudo tende a dar certo. Quando se sabe o que se quer e se quer o que se sabe ser bom para nós, as coisas fluem com simplicidade, tranqüilidade e leveza."

(Samine)


O Sol é um dos arcanos do tarô que irradia a harmonia e felicidade. Esta felicidade que pode ser traduzida em simples momentos felizes, ou uma fase de alegria e bem estar com a vida. Ele sempre brilha, mesmo após os longos dias nublados, ou as noites frias e os dias negros da alma. A mensagem deste arcano é aproveite este momento de plenitude, alegria e felicidade!
Em pleno início de um feriadão, me aparece esta carta maravilhosa! Que venha novembro vibrando felicidade e alegria!


"Que a eterna luz do Sol te ilumine,
Que todo o amor te envolva,
E a luz verdadeira, no teu interior,
Guie o teu caminho para casa,
Guie o teu caminho para casa..."


Benção Sufi



27 de outubro de 2012

O amor bom é facinho


Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade? 

Eu suspeito que não. 

Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói. 

Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo? 

Minha experiência sugere o contrário. 

Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas. 

Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado. 

Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos? 

Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer? 

Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir? 

Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios. 

Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio? 

Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada. 


IVAN MARTINS - Editor-executivo de ÉPOCA, 29/06/2011

20 de outubro de 2012

A uma mulher amada




Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem-querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro ... eu tremo.

(Safo)

15 de outubro de 2012

Te quero...





Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.


(Pablo Neruda)