10 de outubro de 2010

Eu gosto...




Eu gosto do claro, quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro, no escuro com você na cama
Eu gosto do não, se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz

5 de outubro de 2010

Personagem


São os espelhos que me revelam:

Sem eles eu talvez não soubesse de mim.


Personagem incerto:
alguma dimensão, para demarcar-me.


Densidade suficiente para as quedas.
Às vezes, uma perplexa luz.


De nome não se fala, por desnecessário.
De origem não se sabe o que dizer.


Esta unidade insuficiente,
que não consegue ser sozinha.


Sim, conseguiria, se tudo não fossem agressões,
de dentro e de fora.


Que obediência, que disciplina é preciso aceitar?
Que genealogias se impõem?
Flutua-se num rio caudaloso e baço:
toas as gerações já passaram – e que souberam de proveitoso?
De onde provinham? Como se encadearam seus rostos?
Viveram suas obrigações. Que deixaram?
Tudo se perde na origem anônima,
Nessa negra fonte cega.


Que posso eu ter com essas vidas passadas,
se elas nada afinal têm com a minha?
Que somos todos um sangue?
Ah! cada um vive o seu sangue separadamente!



(Cecília Meireles)

3 de outubro de 2010

A Portrait of the Artist as a Young Woman




"Eu vou dizer-te o que farei e o que não farei. Não irei servir mais aqueles nos quais eu já não acredito, quer seja a minha casa, a minha pátria ou a minha igreja: e vou tentar exprimir-me nalguns modos de vida ou de arte tão livremente quanto possa e durante o tempo que puder, utilizando para minha defesa as únicas armas que me permito usar: - Silêncio, Exílio e Astúcia."

(James Joyce)




1 de outubro de 2010

A Roda da Fortuna


A Roda da Fortuna é a carta que trata da sorte, da mudança, da fortuna que é, quase sempre, boa. Esta é uma virada do acontecimentos para melhor, que traz invariavelmente grande alegra e abundância. O Arcano X vem nos falar das mudanças naturais, leves e necessárias em nossa jornada. Na estrutura do Tarô é a primeira carta que alerta para tais mudanças, instabilidades, alterações, mas com um dedo do Providência Cósmica.

Embora a maioria das cartas indiquem o que a pessoa pode fazer para melhorar a sua vida, na Roda da Fortuna pode-se simplesmente admitir que, às vezes, esta pessoa tem sorte, independentemente de todo o resto. Esta carta pode também significar movimento, evolução, mas o seu principal sentido é o de que haverão mudanças para melhor aparentemente fortuitas, imprevisíveis. O consulente conseguirá “a tal” oportunidade pela qual esperava. Chamemos-lhe destino, recompensa kármica por tudo de bom que já fizemos na vida, ou simplesmente sorte. Mas quaisquer que sejam as “loterias” da vida da pessoa, ela acabou de acertar!

(Texto retirado da net)


"A Sorte tudo afeta: lança o teu anzol, porque no riacho mais improvável haverá peixe."

Ovídeo (poeta romano, 43 a.C - 17 A.D.) in Ars Amatoria


"Boa noite Fortuna. Sorri mais uma vez, gira a tua Roda!"

Shakespeare (dramaturgo inglês, 1564-1616) in Rei Lear

25 de setembro de 2010

Luto Eterno



Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos, nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza?
Nem nos deixaste sequer o direito de indagar?
porque o fizeste, porque te foste?

(Carlos Drummond de Andrade)

"Mãe é o nome de Deus nos lábios infantis"
(O Corvo - Cidade dos Anjos)

À S.M.C - RIP - 25/09/2006

23 de setembro de 2010

21 de setembro de 2010

O Luar




O luar,
é a luz do Sol que está sonhando

O tempo não pára!
A saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

...os verdadeiros versos não são para embalar,
mas para abalar...

A grande tristeza dos rios é não poderem levar a tua imagem...

(Mário Quintana)



É muito triste pensar que o mundo existe sem você,
que amou tanto a vida e dela partiu...



20 de setembro de 2010

Inamorata


"Aprendi que o amor é feito de liberdade. É como ter, todos os dias, muitas outras opções.
E ainda assim fazer a mesma livre escolha..."




13 de setembro de 2010

Simplicidade



Tenho aprendido com o tempo que a felicidade vibra na frequência das coisas mais simples.
Que o que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar,
são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano.
Como o toque bom do sol quando pousa na pele.
A solidão que é encontro.
O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado.
A lua quando o olhar é grande.
A doçura contente de um cafuné sem pressa. O trabalho que nos erotiza.
Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados. O poema que parece que fomos nós que escrevemos.
A força da areia molhada sob os pés descalços. O sono relaxado que põe tudo pra dormir.
A presença da intimidade legítima. A música que nos faz subir de oitava.
A delicadeza desenhada de improviso.
O banho bom que reinventa o corpo. O cheiro de terra. O cheiro de chuva.
O cheiro do tempero do feijão da infância. O cheiro de quem se gosta.
O acorde daquela risada que acorda tudo na gente. Essas coisas. Outras coisas.
Todas, simples assim."

(Ana Jácomo)

8 de setembro de 2010





E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro,
senta ao meu lado assim mesmo...
Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece
quando a vida da gente se sente olhada com amor.
Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu.
Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.

Ana Jácomo