Mostrando postagens com marcador Caio Fernando Abreu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caio Fernando Abreu. Mostrar todas as postagens

22 de fevereiro de 2013

Verdades...




"Eu sei o que você pensa quando olha para mim. Talvez se eu fosse mais comportado, falasse mais baixo e não chamasse tanta atenção. Talvez se eu bebesse um pouco menos, te desse menos trabalho e não fosse tão do agora. Talvez se eu não tivesse chegado tão perto, nem te tocado tão fundo, nem sido tão eu. Talvez haveria alguma possibilidade."

CFA

29 de novembro de 2012

E...



E da janela do quarto, vendo uma vida de estrelas passarem por seus olhos,
algo lhe dizia:
- Tá vendo aquele mundo la fora?
É seu, vai pegar!

(CFA)  

23 de setembro de 2012

Quero nós...



Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa.  

(Caio F. Abreu)

8 de agosto de 2012

Mas...



... porque as coisas são mesmo assim, talvez por certa magia, predestinações, sinais ou simplesmente acaso, quem saberá, ou ainda por ser natural que assim fosse, e menos que natural, inevitável, fatalidade, trágicos encantos - enfim, houve um dia, marco, em que o tocaram de leve no ombro.
Ele olhou para o lado. Ao lado havia Outra Pessoa. A Outra Pessoa olhava-o com cuidadosos olhos castanhos. Os cuidadosos olhos castanhos eram mornos, levemente preocupados, um pouco expectantes. As transformações tinham se tornado tão aceleradas que, no primeiro momento, não soube dizer se a Outra Pessoa via a ele ou a Ela, se se dirigia à moldura, à casca, ao cristal ou ao desenho, ao corpo original, às gotas de sangue. Isso num primeiro momento. Num segundo, teve certeza absoluta que se tinha desinvisibilizado. A Outra Pessoa olhava para uma coisa que não era uma coisa, era ele mesmo. Ele mesmo olhava para uma coisa que não era uma coisa, era Outra Pessoa. O coração dele batia e batia, cheio de sangue. Pousada sobre seu ombro, a mão da Outra Pessoa tinha veias cheias de sangue, latejando suaves.
Alguma coisa explodiu, partida em cacos. A partir de então, tudo ficou ainda mais complicado. E mais real.

Caio F. Abreu  


29 de julho de 2012

Aproxime-se...


Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Daqui há pouco você vai crescer e achar tudo isso ridículo. Antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer sim, por favor, chegue mais perto.

Caio F. Abreu  

5 de julho de 2012

Sinto sua falta...



“Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.”


Caio Fernando Abreu  



21 de junho de 2012

Mas...




(...)Mas se você tivesse ficado, seria diferente?

Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais - por que ir em frente?



Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia - qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.



Tinha terminado então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente sempre sabe exatamente quando termina. Mas de tudo isso, me ficaram coisas boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor pra mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.



Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro, mas que seja bom o que vier, pra você e pra mim.




(Caio F. Abreu)

10 de junho de 2012

Que assim seja



"Então, não perca seu tempo comigo. Eu não sou um corpo que você achou na noite. 
Eu não sou uma boca que precisa ser beijada por outra qualquer. 
Eu não preciso do seu dinheiro. Muito menos do seu carro. Mas, talvez, eu precise dos seus braços fortes. 
Das suas mãos quentes. Do seu colo pra eu me deitar. 
Do seu conselho quando meu lado menina não souber o que fazer do meu futuro. 
Eu não vou te pedir nada. Não vou te cobrar aquilo que você não pode me dar. 
Mas uma coisa, eu exijo. Quando estiver comigo, seja todo você. Corpo e alma. 
Às vezes, mais alma. Às vezes, mais corpo. Mas, por favor, não me apareça pela metade. 
Não me venha com falsas promessas. Eu não me iludo com presentes caros. 
Não, eu não estou à venda. Eu não quero saber onde você mora. Desde que você saiba o caminho da minha casa. 
Eu não quero saber quanto você ganha. Quero saber se ganha o dia quando está comigo."

Caio F Abreu

21 de maio de 2012



"Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento; passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você fazia escondida, sem deixar rastros nem pistas. Talvez ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez ele volte; Ou não."


Caio F. Abreu

10 de maio de 2011

Paradoxo


"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."

(Caio Fernando Abreu)




5 de janeiro de 2011


"Como pode? Duas pessoas tão diferentes se amarem a ponto de não conseguirem desviar os pensamentos um do outro? Certo dia me perguntaram: Pq você se apaixonou? Eu repondi: Não sei… E talvez continue não sabendo. Eu simplesmente amo, acordo e vou dormir com ele nos meus pensamentos. E como podemos deixar que nossas diferenças nos afetem? Por que diante do amor, nós (humanos) somos às vezes tão racionais? Por que deixamos que o jardim tenha ervas daninhas?
Respostas que eu não tenho."

(Caio F. Abreu)

23 de dezembro de 2010

Barco


Eu entro nesse barco, é só me pedir.
Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou.
Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes.
Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia.
Mas você tem que remar também.
E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir.
Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia.
Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo.
Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir.
Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto.
Eu te ensino a nadar, juro!
Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças!
Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser à toa, que vale a pena.
Que por você vale a pena.
Que por nós vale a pena.
Remar. Re-amar.
Amar.

(Caio Fernando de Abreu)