Mostrando postagens com marcador Rumi. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rumi. Mostrar todas as postagens

30 de dezembro de 2011

O mundo além das palavras



Dentro deste mundo há um outro mundo impermeável às palavras.
Nele, nem a vida teme a morte, nem a primavera dá lugar ao outono.
Histórias e lendas surgem dos tetos e paredes, até mesmo as rochas e árvores exalam poesia.
Aqui, a coruja transforma-se em pavão; o lobo, em belo pastor.
Para mudar a paisagem, basta mudar o que sentes;
E se queres passear por esses lugares, basta expressar o desejo.
Fixa o olhar no deserto de espinhos.
- Já é agora um jardim florido!
Vês aquele bloco de pedra no chão?
- Já se move e dele surge a mina de rubis!
Lava tuas mãos e teu rosto nas águas deste lugar, que aqui te preparam um fausto banquete.
Aqui, todo ser gera um anjo; e quando me vêem subindo aos céus, os cadáveres retornam à vida.
Decerto viste as árvores crescendo da terra, mas quem há de ter visto o nascimento do Paraíso?
Viste também as águas dos mares e rios, mas quem há de ter visto nascer de uma única gota d'água uma centúria de guerreiros?
Quem haveria de imaginar essa morada, esse céu, esse jardim do paraíso?
Tu, que lês este poema, traduze-o. Diz a todos o que aprendeste sobre este lugar.

(Rumi)

5 de julho de 2010

Mundos Infinitos




A cada instante a voz do amor nos circunda e partimos em direção ao céu profundo.
Por que deter-se a olhar ao redor? Já estivemos antes por esses espaços e até os anjos os reconhecem.
Retornemos ao mestre, que é lá nosso lugar.
Estamos acima das esferas celestes, somos superiores aos próprios anjos.
Além da dualidade nossa meta é a glória suprema.
Quão distante está o mundo terreno do reino da pura substância?
Por que descemos tanto? Apanhemos nossas coisas e subamos mais uma vez
Sorte não nos faltará ao entregarmos de novo nossas almas.
Nossa caravana tem por guia Mustafá, a glória do mundo.
Ao contemplar sua face a lua partiu-se em dois pedaços.
Não pôde suportar tanta beleza e fez-se feliz mendicante frente àquela riqueza.
A doçura que o vento nos traz é o perfume de seus cabelos.
A face que traz consigo a luz do dia reflete o brilho de seus pensamentos.
Olha bem dentro de teu coração e vê a lua que se despedaça.
Por que teus olhos ainda fogem dessa visão maravilhosa?
O homem emerge do oceano da alma como os pássaros do mar.
Como há de ser terra seca o lugar do descanso final de uma ave nascida nesse mar?
Somos pérolas desse oceano. A ele pertencemos. Cada um de nós.
Seguimos o movimento das ondas que se arrastam até a terra e então retornam ao mar.
E eis que surge a última onda e arremessa o navio do corpo à terra.
E quando essa onda regressa naufraga a alma em seu oceano.
E este é o momento da união.

Rumi - Poema Místico do Oriente

3 de maio de 2010

Artista



Sou artista, pintor...
Desenho imagens...
Nenhuma se compara ao teu fulgor.
Sei criar mil fantasmas, dar-lhes vida.
Mas se vejo teu rosto, dou-lhes fogo!
Serves teu vinho ao ébrio na taberna e abates toda casa que construo
Nossa alma em ti se dissolve, água na água. Vinho no vinho...
Sinto teu perfume...
Cada gota de meu sangue te implora: 'Faz-me teu par, dá-me tua cor'
Sofre minha alma na casa de argila
E entra amado, se não hei de partir...



(Rumi)

(Imagem: O Beijo - Gustavo Klimt)

4 de janeiro de 2010

A Lua de Tabriz



Com a maré da manhã surgiu no céu uma lua
De lá desceu e fitou-me
Como um falcão que arrebata um pássaro
Essa lua agarrou-me e cruzou o céu
Quando olhei para mim já não me vi
Naquela lua meu corpo se tornara, por graça sutil como a alma.
Viajei então em estado de alma e nada mais vi senão a lua.
Até que o segredo do saber divino me foi por inteiro revelado.
As novas esferas celestes fundiram-se na lua e o vaso do meu ser dissolveu-se inteiro no mar.
Quando o mar quebrou-se em ondas a sabedoria divina lançou sua voz ao longe.
Assim tudo ocorreu...
Assim tudo foi feito...
Logo o mar inundou-se de espumas.
Cada gota de espuma tomou forma e cor.
Ao receber o chamado do mar cada corpo de espuma se desfez e tornou-se espírito no oceano.
Sem a majestade do amado, não se poderia contemplar a lua.
Nem tornar-se mar.
(Rumi)

9 de setembro de 2009

Estou partindo...



Fica, se te interessa.
Através dos jardins, através dos pomares.
Estou partindo.
Meu dia sombria sem sua face
Eis porquê me dirijo agora à chama brilhante no céu.
Minha alma corre à frente e diz: “O corpo é lento demais.”
Estou partindo.
Maçãs exalam no pomar de minha alma
Se o perfume me invade me transporta para a colheita das maçãs, ventos súbitos não me desviarão
Oh montanha de ferro, cada um de meus passos dirige-se ao amado.
Minha cabeça rompeu-se com a dor de sua perda.
Em busca de uma nova vida, cabeça erguida.
Estou partindo.
Sou fogo vivo, mas pareço betume. Quero ser óleo límpido em tua mão para depor este parto.
Pareço imóvel como a montanha, mas sigo pouco a pouco em direção à pequena fresta.
Estou chegando...
Tocaste a órbita do coração celeste.
Agora fica aqui.
Pudeste ver a lua nova, agora fica.
Sofreste em excesso por tua ignorância.
Carregaste teus trapos para um lado e para o outro, agora fica aqui.
Teu tempo acabou.
Escutaste tudo que se pode dizer sobre a beleza desse amante, fica aqui agora.
Juraste em teu coração que havia leite nesses seios.
Agora que provaste desse leite, fica...

(Rumi)