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20 de julho de 2010

A tempestade



Pássaro e o homem tem essências diferentes.

O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas;

O pássaro vive segundo a lei universal que faz girar os mundos.



Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.

Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.

Muitos levantam a cabeça acima dos montes;

mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.



A civilização é uma arvore idosa e carcomida,

cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas

são a infelicidade e o desassossego.



Deus criou os corpos para serem os templos das almas.

Devemos cuidar desses templos para que sejam

dignos da divindade que neles mora.



Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis,

de suas tradições e de seu barulho.

Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam

dos seus cofres e se deitam nos seus bolsos.

Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira

dourada e seus ouvidos com falsas promessas.

Os sacerdotes aconselham os outros,

mas não aconselham a si mesmos,

e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos.

Vã é a humanidade. E tudo o que está nela é vão.



Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...

É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.

Quem o sente não o pode expressar em palavras.

E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.

Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.

(Gibran)

Ser HUMANO?
Podemos ser muito mais que isto.

By Morgana

27 de maio de 2010

Do amor




Quando o amor o chamar
Segui-o

Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados
E quando ele vos envolver com suas asas


Cedei-lhe
Embora a espada oculta na sua plumagem possa feri-vos
E quando ele vos falar


Acreditai nele
Embora a sua voz possa despedaçar vossos sonhos como o vento devasta o jardim
Pois da mesma forma que o amor vos coroa, assim ele vos crucifica
E da mesma forma que contribui para o vosso crescimento
Trabalha para vossa poda


E da mesma forma que alcança vossa altura e acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol
Assim também desce até vossas raízes e a sacode no seu apego à terra
Como feixes de trigo ele vos aperta junto ao seu coração
Ele vos debulha para expor a vossa nudez
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas

Ele vos mói até extrema brancura
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis
Então ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma no pão místico do banquete divino


Todas essas coisas o amor operará em vos para que conheçais os segredos de vossos corações
E com esse conhecimento vos convertais no pão místico do banquete divino
Todavia se no vosso temor procurardes somente a paz do amor, o gozo do amor
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez, abandonásseis a ira do amor
Para entrar num mundo sem estações onde rireis, mas não todos os vossos risos
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas


O amor nada dá, se não de si próprio
E nada recebe, se não de si próprio
O amor não possui nem se deixa possuir
Pois o amor basta-se a si mesmo


Quando um de vós ama, que não diga 'Deus está no meu coração'
Mas que diga antes 'Eu estou no coração de Deus'
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor pois o amor se vos achar dignos determinará ele próprio vosso curso
O amor não tem outro desejo se não o de atingir a sua plenitude
Se contudo amardes e precisardes ter desejos
Sejam estes os vossos desejos
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho que canta sua melodia para a noite

De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria
De acordardes na aurora com o coração alado e agradecerdes por um novo dia de amor
De descansardes ao meio-dia e meditardes sobre o êxtase do amor
De voltardes pra casa à noite com gratidão
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado
E nos lábios uma canção de bem-aventurança...


(Gibran)

2 de maio de 2010

Equilibrium




A Razão e a Paixão


“E a sacerdotisa adiantou-se novamente e disse: "Fala-nos da razão e da paixão". E ele respondeu, dizendo:

Vossa alma é freqüentemente um campo de batalha onde vossa razão e vosso juízo combatem vossa paixão e vosso apetite. Pudesse eu ser o pacificador de vossa alma, transformando a discórdia e a rivalidade entre vossos elementos em união e harmonia. Mas como poderei fazê-lo, a menos que vós mesmos sejais também pacificadores, mais ainda, enamorados de todos os vossos elementos?
Vossa razão e vossa paixão são o leme e as velas de vossa alma navegante. Se vossas velas ou vosso leme se quebram, só podereis derivar ou permanecer imóveis no meio do mar. Pois a razão, reinando sozinha, restringe todo impulso; e a paixão, deixada a si, é um fogo que arde até sua própria destruição.
Que vossa alma eleve, portanto, vossa razão à altura de vossa paixão, para que ela possa cantar, E que dirija vossa paixão a par com vossa razão, para que ela possa viver numa ressurreição cotidiana e, como a fênix, renascer das próprias cinzas.
Gostaria que tratásseis vosso juízo e vosso apetite como trataríeis dois hóspedes amados em vossa casa. Certamente não honraríeis um hóspede mais do que o outro; pois quem procura tratar melhor um dos dois, perde o amor e a confiança de ambos.”

(Gibran)


“Necesidad y Libertad, tales son las dos grandes Leyes de la Vida; y estas dos Leyes hacen sólo una, pues son mutuamente indispensables.
La necesidad sin libertad sería tan nefasta como la libertad privada de su freno necesario. El Derecho sin el Deber es la locura. El Deber sin el Derecho es la Esclavitud.”
(Eliphas Levi Zahed)

27 de março de 2010

Na Floresta


Na floresta não existe nem rebanho, nem pastor.
Quando o inverno caminha segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia submissão
Se um dia ele se levanta e lhes indica o caminho, com ele caminharão

Dá-me a flauta e canta.

O canto é o pasto das mentes e o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor.

Na floresta não existe ignorante ou sábio.

Quando os ramos se agitam a ninguém reverenciam.
O saber humano é ilusório como a cerração dos campos que se esvai quando o sol se levanta no horizonte.

Dá-me a flauta e canta.

O canto é o melhor saber e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas.


Na floresta só existe lembrança dos amorosos.

Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos.
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.

Dá-me a flauta e canta.

E esquece a injustiça do opressor.
Pois o lírio é uma taça para o orvalho e não para o sangue.


Na floresta não há crítico, nem censor.

Se as gazelas se perturbam quando avistam o companheiro a águia não diz “que estranho!?”
Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho.

Ah! Dá-me a flauta e canta.

O canto é a melhor loucura e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.


Na floresta não existem homens livres ou escravos.

Todas as glórias são vãs como borbulhas na água.
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro não diz “ele é desprezível e eu sou um grande senhor”.

Dá-me a flauta e canta.

Que o canto é glória autêntica e o lamento da flauta sobrevive ao nobre e ao vil.



Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade.
Quando o leão ruge, não dizem “ele é temível”.
A vontade humana e apenas uma sombra que vagueia no espaço do pensamento e o direito dos homens fenecem como folhas de outono.

Dá-me a flauta e canta.

O canto é a força do espírito e o lamento da flauta sobrevive ao apagamento do sóis.



Na floresta não há morte nem há túmulos.
A alegria não morre quando se vai a primavera.
O pavor da morte é uma quimera quem se insinua no coração, pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos.

Dá-me a flauta e canta.

O canto é o segredo da vida eterna e o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência.
(Gibran)