12 de julho de 2010

Num dia como hoje, por exemplo:



"A chuva cai, diz coisas sonolentas, coisas tristes, num ar vagamente sonâmbulo de quem já não sofre, num ar morno de suprema lassidão, de suprema renúncia, como quem se resigna a todas as misérias, como quem se resigna a todas as cobardias. Parece que a chuva diz rezas, rezas frias, murmuradas por lábios frios num frio claustro de convento. Parece que a chuva fria fala num delírio incessante, febrilmente vago, num salmear inconsciente, como quem vai morrer. Eu não sei se V. tem sentido a nostalgia destes dias assim, mas eles evocam em mim a tragédia das almas que se calam, das que já não se queixam, das almas galvanizadas na angustiosa tormenta de impossíveis sonhados um dia e nunca realizados. Quando nesses dias eu olho as planícies vastas, tenho medo de ver, insensivelmente, transformar-se meu olhar no olhar espectralmente parado das estátuas. Então agito-me, sacudo-me, falo alto, canto como as crianças que têm medo das sombras imóveis das árvores numa estrada deserta. Tudo é grande, tudo parece fugir, fugir sempre ao longe, como aqueles fantásticos castelos de brumas, onde ninguém chegava nunca – a chuva continua a dizer sempre a mesma coisa, a embalar o tempo que adormeceu agora..."
Florbela Espanca - (5/1/1920)


"Coloque a lealdade e a confiança acima de qualquer coisa; não te alies aos moralmente inferiores; não receies corrigir teus erros."
Confúcio

9 de julho de 2010

Uma Extraordinária Aventura



A tarde ardia em cem sóis
O verão rolava em julho.
O calor se enrolava no ar e nos lençóis
da data onde eu estava,
Na colina de Púchkino, corcunda,
o monte Akula, e ao pé do monte
a aldeia enruga a casca dos telhados.
E atrás da aldeia,um buraco
e no buraco, todo dia,
o mesmo ato:

o sol descia
lento e exato
E de manhã
outra vez
por toda a parte
lá estava o sol
escarlate.
Dia após dia

Isto
começou a irritar-me
terrivelmente.
Um dia me enfureço a tal ponto
que, de pavor, tudo empalidece.
E grito ao sol, de pronto:

- Desce!

- Chega de vadiar nessa fornalha!

E grito ao sol:

- Parasita!

- Você aí, a flanar pelos ares,
e eu aqui, cheio de tinta,
com a cara nos cartazes!

E grito ao sol:

- Espere!

- Ouça, topete de ouro,
e se em lugar
desse ocaso de paxá
você baixar em casa
para um chá?

Que mosca me mordeu!
É o meu fim!

Para mim
sem perder tempo
o sol alargando os raios-passos
avança pelo campo.

Não quero mostrar medo.
Recuo para o quarto.
Seus olhos brilham no jardim.
Avançam mais.
Pelas janelas,
pelas portas,
pelas frestas
a massa solar vem abaixo
e invade a minha casa.

Recobrando o fôlego,
me diz o sol com a voz de baixo:

- Pela primeira vez recolho o fogo,
desde que o mundo foi criado.
Você me chamou?
Apanhe o chá,
pegue a compota, poeta!

Lágrimas na ponta dos olhos
o calor me fazia desvairar, eu lhe mostro
o sofá:

- Pois bem,
sente-se, astro!

Quem me mandou berrar ao sol
insolências sem conta?

Contrafeito
me sento numa ponta
do banco e espero a conta
com um frio no peito.

Mas uma estranha claridade
fluía sobre o quarto
e esquecendo os cuidados
começo pouco a pouco
a palestrar com o astro.

Falo disso e daquilo,
como me cansa o trabalho,
etc.

E o sol:

- Está certo,
mas não se desgoste,
não pinte as coisas tão pretas.
E eu? Você pensa
que brilhar
é fácil?
Prove, pra ver!
Mas quando se começa
é preciso prosseguir
e a gente vai e brilha pra valer!

Conversamos até a noite
ou até o que, antes, eram trevas.
Como falar, ali, de sombras?
Ficamos íntimos,
os dois.
Logo,com desassombro
estou batendo no seu ombro.
E o sol, por fim:

- Somos amigos
pra sempre, eu de você,
você de mim.
Vamos, poeta,
cantar,luzir
no lixo cinza do universo.
Eu verterei o meu sol
e você o seu
com seus versos.

- O muro das sombras,
prisão das trevas,
desaba sob o obus
dos nossos sóis de duas bocas.
Confusão de poesia e luz,
chamas por toda a parte.

- Se o sol se cansa
e a noite lenta
quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente,
inflamo a minha flama
e o dia fulge novamente.

Brilhar para sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
Gente é pra brilhar
que tudo o mais vá prá o inferno,
este é o meu slogan
e o do sol.



(Vladimir Maiakóvski)

5 de julho de 2010

Mundos Infinitos




A cada instante a voz do amor nos circunda e partimos em direção ao céu profundo.
Por que deter-se a olhar ao redor? Já estivemos antes por esses espaços e até os anjos os reconhecem.
Retornemos ao mestre, que é lá nosso lugar.
Estamos acima das esferas celestes, somos superiores aos próprios anjos.
Além da dualidade nossa meta é a glória suprema.
Quão distante está o mundo terreno do reino da pura substância?
Por que descemos tanto? Apanhemos nossas coisas e subamos mais uma vez
Sorte não nos faltará ao entregarmos de novo nossas almas.
Nossa caravana tem por guia Mustafá, a glória do mundo.
Ao contemplar sua face a lua partiu-se em dois pedaços.
Não pôde suportar tanta beleza e fez-se feliz mendicante frente àquela riqueza.
A doçura que o vento nos traz é o perfume de seus cabelos.
A face que traz consigo a luz do dia reflete o brilho de seus pensamentos.
Olha bem dentro de teu coração e vê a lua que se despedaça.
Por que teus olhos ainda fogem dessa visão maravilhosa?
O homem emerge do oceano da alma como os pássaros do mar.
Como há de ser terra seca o lugar do descanso final de uma ave nascida nesse mar?
Somos pérolas desse oceano. A ele pertencemos. Cada um de nós.
Seguimos o movimento das ondas que se arrastam até a terra e então retornam ao mar.
E eis que surge a última onda e arremessa o navio do corpo à terra.
E quando essa onda regressa naufraga a alma em seu oceano.
E este é o momento da união.

Rumi - Poema Místico do Oriente

2 de julho de 2010

A Torre


A carta A Torre ou também conhecida por A Casa de Deus anuncia eventos inesperados, que algo irá mudar ou provocar uma transformação súbita. Esta é normalmente uma transformação externa, algo que vem de fora que nos influencia diretamente e que pode libertar a nossa visão sobre determinados assuntos.

A Torre representa as fundações que foram construidas, a estrutura sobre a qual assenta a vida.

Como pode ver por esta carta, o seu simbolismo arquétipo representa uma torre cujos quartos se encontram em chamas, indicando-lhe que muitas das coisas que mantém guardadas nesses quartos devem ser lançadas fora o quanto antes, emoções antigas, sentimentos destroçados e preconceitos.

Esta carta diz que atualmente esses quartos são os piores inimigos para alcançar os objetivos. O relâmpago que atinge a alto da torre representa a necessidade de mudança, que algo deve ser mudado com urgência. Deve seguir em frente e lançar fora os sentimentos antigos que o estão a reter.

Normalmente esta carta representa sempre uma influência externa que surge ou que ainda irá surgir na vida, entretanto se é uma carta na situação Presente ou Futuro, e pode estar relacionado com alguém ou algum conjunto de circunstâncias sobre as quais não tem qualquer tipo de controle. Esta libertação que vem de fora poderá ser agradável ou desconfortável mas é sempre necessária para o ajudar a libertar-se e seguir em frente.

Como carta de Obstáculo, o XVI Arcano do Tarot interpreta a falta de aceitação em visualizar a realidade e proceder à limpeza das emoções e sentimentos tão necessários à felicidade.

A Torre no geral representa as fundações da vida.

(Texto retirado da net)

25 de junho de 2010

É assim que te quero, amor...


...Assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amado,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feito
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda

20 de junho de 2010

A Noite na Ilha



Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperta e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

(Pablo Neruda)

12 de junho de 2010

Indecências


Quantas esteiras de luz
se acendem
quando me tocas?
Milhares de estrelas
espetam meus dedos
rios se perdem
deixando em abandono
os seus leitos.
E um atropelo de veias
sangue correndo veloz
sem saída.
Tantas farpas
me cortam a pele
tantos frios
eriçam meus pelos
quando me tocas...
Eu ardo febril
- tantas chamas -
e tremo de medo
- quantos gelos -
quando me tocas...
Tantas catástrofes
tumultos
revoltas
provocas em mim.
Alteram-se os sais
queimam-se calorias
e quantas loucuras
submetes minha química
quantas queimaduras
me causa a tua pele.
A quantos perigos
me exponho
quando me tocas...

(Texto retirado da Net)


Dia dos namorados.
É assim que te quero meu amor
Queres-me assim?
Meu homem, meu amado, meu namorado...
És minha luz, amor da minha vida.

9 de junho de 2010

Em algum lugar me encontro deitada...


... com longos vestidos graves,
como um quadro, tênue de cor, muito sereno.


E reconheço-me.


Não há paisagem nenhuma, apenas um vazio imenso,
a luz de um crepúsculo imóvel,
uma grandiosa quietude.


Em algum lugar me encontro assim deitada,
sem brisa que me altere, presença que me perturbe.
Do céu à terra, de leste a oeste, tudo é muito longe,
infinitamente, num lugar de nenhum país.


Horizontes de esquecimento circundam a imagem,
a imagem minha que parece venturosa,
que descansa em nobre solidão,
que talvez esteja sonhando
sonhos que jamais conhecerei,
mas que dão a seus olhos fechados
uma plácida curva.


Reconheço-me e ignoro-me.
(Uma noite dentro de outra noite.)


(Cecília Meirelles)

6 de junho de 2010

Burn in Hell


Welcome to the abandoned land
Come on in, child; Take my hand
Here there's no work or play
Only one bill to pay
There's just five words to say
As you go down, down, down

You're gonna Burn in Hell
Oh, Burn in Hell

You can't believe all the things I've done wrong in my life
Without even trying I've lived on the Edge of a Knife
Well, I've played with fire, but I don't want to get myself burned
To thyn known self be true, so I think that it's time for a change

Before I Burn in Hell
Oh, Burn in Hell

Take a good look in your heart; Tell me what do you see ?
It's black and it's dark, now is that how you want it to be ?
It's up to you; What you do will decide your own fate
Make your choice now for tomorrow may be far too late

Hear no Evil, don't you
See no Evil, don't you
Lay no Evil down on me
You're gonna Burn in Hell
Speak no Evil, don't you
Think no Evil don't you
Play with Evil, 'cause I'm free

(Cover do Twisted Sister feito pelo Dimmu Borgir)


1 de junho de 2010

O Carro



O Carro é representado por um arquétipo simbolizador de motivação, força de vontade e honestidade que são impulsionadores do progresso contínuo.

Representa o auto controle, a confiança e retidão nos nossos atos. Poderá ser você o verdadeiro impulsionador destas características, ou alguém que exerce essa influência em si de forma a ajudá-lo a cumprir os seus objetivos.

No caso de se tratar de uma influência externa, ter cuidado ao avaliá-la pois inicialmente poderá parecer muito autoritária ou exigente, mas que no entanto poderá vir a ser uma verdadeira ajuda no cumprimento do nosso caminho, ao mostrar-lhe o significado da verdadeira motivação, honra, e retidão naquilo que fazemos.

No entanto temos que avaliar com atenção qual a altura certa para agir e realmente tomar controle da nossa jornada espiritual e física, pois essa escolha será essencial para o nosso triunfo.

Ainda como carta futura, esta carta avisa expressamente que nos cabe tomar total controle da nossa vida, reprimindo as nossas emoções se necessário e focar-se naquilo que realmente nos interessa de uma forma aventureira e destemida.

Ou também poderá significar que estamos sendo muito controladores e egocêntricos nos fazendo errar nas nossas opções simplesmente porque não ouvimos mais ninguém a não ser a nós próprios.

O 7º Arcano do Tarot nos incita a dar atenção às coisas e pessoas que nos rodeiam.


(Texto retirado da net)