10 de novembro de 2009

Ainda sangra...



"Um amor igual a esse
onde se vai achar
que quando parte vai pra nunca mais
mas sempre volta vento arrasador"

(Leila Pinheiro)

Saudade... Saudade... Pesa demais no coração...

8 de novembro de 2009

La Loba - Parte 4



La Loba
faz um paralelo com os mitos universais nos quais os mortos são ressuscitados.
O canto sobre os ossos é a nossa técnica de meditação enquanto mulheres, a evocação de aspectos mortos e desagregados de nós mesmas, a evocação de aspectos mortos e desagregados da própria vida. Aquele que recria a partir do que está morto é sempre um arquétipo de duas faces. A Mãe Criadora é sempre também a Mãe Morte, e vice-versa. Em virtude dessa natureza dual, ou dessa duplicidade de função, a grande tarefa diante de nós consiste em aprender a compreender à nossa volta e dentro de nós exatamente o que deve viver e o que deve morrer. Nossa tarefa reside em captar a situação temporal de cada um: permitir a morte àquilo que deve morrer, e a vida ao que deve viver.
É esse o conhecimento adquirido quando nos aproximamos da Mulher Selvagem. Quando La Loba canta, ela está cantando a partir do saber contido nos ovários, um conhecimento que vem das profundezas do corpo, do fundo da mente, do fundo da alma. Os símbolos da semente e dos ossos são muito semelhantes.
Dispor da semente significa ter o acesso à vida. Conhecer os ciclos da semente significa dançar com a vida, dançar com a morte, dançar de volta à vida. A natureza da Mulher Selvagem nas mulheres é a da mãe da vida e da morte em sua forma mais antiga.
Essa velha La Loba é a quintessência da mulher de dois milhões de anos. Ela é a Mulher Selvagem original que vive debaixo da terra e, no entanto, sobre o seu solo. Ela vive dentro de nós e nos transcende; nós somos cercadas por ela. Os desertos, os bosques e a terra debaixo das nossas casas têm pelo menos dois milhões de anos.
A velha, a Mulher Selvagem, é La Voz Mitológica. Ela é a voz mística que conhece o passado e nossa história ancestral e mantém esse conhecimento registrado nas histórias. Se uma mulher conseguir manter esse dom de ser velha quando jovem e jovem quando velha, ela sempre saberá o que vem depois. Se ela tiver perdido esse dom, ainda poderá recuperá-lo com algum exercício psíquico deliberado.
Os ossos de lobo nessa história representam o aspecto indestrutível do Self selvagem, a natureza instintiva, a criatura dedicada à liberdade e ao que permanece incólume, que jamais aceitará os rigores e as exigências de uma civilização morta ou excessivamente civilizadora.
Esse Self/mulher-lobo deve ter liberdade para se movimentar, para falar, para ter raiva e para criar. Esse Self é duradouro, possui boa capacidade de recuperação e grande intuição.
É um Self formado nas questões espirituais do nascimento e da morte.
Portanto, em termos imagísticos, quer você seja um lobo negro, um cinzento do norte, um vermelho do sul, quer seja um branco do Ártico, você é a perfeita criatura instintiva.

(Texto extraído do livro: Mulheres que correm com os lobos - Clarissa Pinkola Estes)

7 de novembro de 2009

La Loba - Parte 3


Essa velha loba está entre os universos da racionalidade e do mito. Ela é a articulação com a qual esses dois mundos giram. Esse espaço entre os mundos é aquele lugar inexplicável que todas reconhecemos uma vez que passamos por ele, porém suas nuanças se esvaem e têm a forma alterada se quisermos defini-las, a não ser quando recorremos à poesia, à música, à dança... ou às histórias.
Existem especulações acerca de o sistema imunológico do corpo humano achar-se enraizado nesse misterioso terreno psíquico, bem como os impulsos e imagens místicas e arquetípicas, incluindo-se nossa fome de Deus, nosso anseio pelos mistérios e todos os instintos sagrados e mundanos. Alguns sugeririam que a memória da humanidade, a raiz da luz, a espiral das trevas também se encontram ali.
Não se trata de um vazio, mas do lugar dos Seres da Névoa, onde as coisas são e ainda não são, onde as sombras têm substância e a substância é diáfana.
Uma coisa a respeito desse espaço é certa: ele é antigo... mais velho do que os oceanos. Como La Loba, ele não tem idade; é atemporal. O arquétipo da Mulher Selvagem dá sustentação a essa camada e emana da psique instintiva. Embora ela possa assumir muitos disfarces nos nossos sonhos e experiências criativas, ela não pertence à camada da mãe, da virgem, da mulher medial, nem da criança interior. Ela não é a rainha, a amazona, a amada, a vidente. Ela é só o que é. Chamem-na de La Que Sabé, Aquela Que Sabe; chamem-na de Mulher Selvagem, de La Loba, chamem-na pelos seus nomes nobres ou pelos seus nomes humildes; chamem-na pelos seus nomes mais novos ou mais antigos; ela continua sendo apenas o que é.
A Mulher Selvagem como arquétipo é uma força inimitável e inefável que traz para a humanidade um abundante repertório de idéias, imagens e particularidades. O arquétipo existe por toda a parte e, no entanto, não é visível no sentido comum da palavra. O que pode ser visto dele no escuro não é visível à luz do dia.
Encontramos comprovações residuais dos arquétipos nas imagens e símbolos presentes nas histórias, na literatura, na poesia, na pintura e na religião. Seu brilho, sua voz e seu perfume parecem ter a intenção de fazer com que nos alcemos da contemplação de nossos próprios rabos para viagens maiores em companhia das estrelas.
No espaço de La Loba, como diz o poeta Tony Moffeit, o corpo físico é "um animal luminoso", e o seu sistema imunológico parece ser fortalecido ou debilitado pelo pensamento consciente. No lugar de La Loba, os espíritos manifestam-se como personagens e La Voz Mitológica da psique profunda fala como poeta e oráculo. Tudo o que tiver valor psíquico, mesmo depois de morto, pode ser ressuscitado.

(Texto extraído do livro: Mulheres que correm com os lobos - Clarissa Pinkola Estes)

6 de novembro de 2009

La Loba - Parte 2


La Loba indica o que devemos procurar — a indestrutível força da vida, os ossos.
Na história, La Loba canta sobre os ossos que reuniu. Cantar significa usar a voz da alma. Significa sussurrar a verdade do poder e da necessidade de cada um, soprar alma sobre aquilo que está doente ou precisando de restauração. Isso se realiza por meio de um mergulho no ponto mais profundo do amor e do sentimento, até que nosso desejo de vínculo com o Self selvagem transborde, e em seguida com a expressão da nossa alma a partir desse estado de espírito. Isso é cantar sobre os ossos.
Essa Mulher Selvagem La Loba, que vive no deserto, foi chamada por muitos nomes e atravessa todas as nações pelos séculos afora. Seguem-se alguns dos seus antigos nomes: A Mãe dos Dias é a deusa-mãe-criadora de todos os seres e de todas as coisas, incluindo-se o céu e a terra. Mãe Nyx exerce seu domínio sobre tudo o que for da lama e das trevas. Durga controla os céus, os ventos e os pensamentos dos seres humanos dos quais se espalha toda a realidade. Coatlique dá a vida ao universo incipiente, que é maroto e difícil de controlar, mas, como uma mãe loba, ela morde a orelha do filhote para contê-lo. Hécata, a velha vidente que "conhece seu povo" e traz em si o cheiro de húmus e o sopro divino. E muitas, muitas outras. Essas são as imagens do que e de quem vive aos pés dos morros, longe no deserto, lá nas profundezas.
La Loba, a velha. Aquela Que Sabe, está dentro de nós. Ela viceja na mais profunda alma-psique das mulheres, a antiga e vital Mulher Selvagem. A história de La Loba descreve sua casa como aquele lugar no tempo no qual o espírito das mulheres e o espírito dos lobos se encontram — o lugar onde a mente e os instintos se misturam, onde a vida profunda da mulher embasa sua vida rotineira. É o ponto onde o Eu e o Tu se beijam, o lugar onde as mulheres correm com os lobos.

(Trecho do livro: Mulheres que correm com os lobos - Clarissa Pinkola Estes)

5 de novembro de 2009

La Loba, o Mito - Parte 1


Existe uma velha que vive num lugar oculto de que todos sabem, mas que poucos já viram. Como nos contos de fadas da Europa oriental, ela parece esperar que cheguem até ali pessoas que se perderam, que estão vagueando ou à procura de algo.
Ela é circunspecta, quase sempre cabeluda e invariavelmente gorda, e demonstra especialmente querer evitar a maioria das pessoas. Ela sabe crocitar e cacarejar, apresentando geralmente mais sons animais do que humanos.
Ela é conhecida por muitos nomes: La Huesera, a Mulher dos Ossos; La Trapera, a Trapeira; e La Loba, a Mulher-lobo.
O único trabalho de La Loba é o de recolher ossos. Sabe-se que ela recolhe e conserva especialmente o que corre o risco de se perder para o mundo. Sua caverna é cheia dos ossos de todos os tipos de criaturas do deserto: o veado, a cascavel, o corvo.
Dizem, porém, que sua especialidade reside nos lobos.
Ela se arrasta sorrateira e esquadrinha as montañas e os arroyos, leitos secos de rios, à procura de ossos de lobos e, quando consegue reunir um esqueleto inteiro, quando o último osso está no lugar e a bela escultura branca da criatura está disposta à sua frente, ela senta junto ao fogo e pensa na canção que irá cantar.
Quando se decide, ela se levanta e aproxima-se da criatura, ergue seus braços sobre o esqueleto e começa a cantar. É aí que os ossos das costelas e das pernas do lobo começam a se forrar de carne, e que a criatura começa a se cobrir de pêlos. La
Loba canta um pouco mais, e uma proporção maior da criatura ganha vida. Seu rabo forma uma curva para cima, forte e desgrenhado.
La Loba canta mais, e a criatura-lobo começa a respirar.
E La Loba ainda canta, com tanta intensidade que o chão do deserto estremece, e enquanto canta, o lobo abre os olhos, dá um salto e sai correndo pelo desfiladeiro.
Em algum ponto da corrida, quer pela velocidade, por atravessar um rio respingando água, quer pela incidência de um raio de sol ou de luar sobre seu flanco, o lobo de repente é transformado numa mulher que ri e corre livre na direção do horizonte.
Por isso, diz-se que, se você estiver perambulando pelo deserto, por volta dopôr-do-sol, e quem sabe esteja um pouco perdido, cansado, sem dúvida você tem sorte, porque La Loba pode simpatizar com você e lhe ensinar algo — algo da alma.

(Texto extraído do livro: Mulheres que correm com os lobos - Clarissa Pinkola Estes)

1 de novembro de 2009

The Company Of Wolves "Walk In The Shadows" by Queensryche





What? You say you're through with me
I'm not through with you
We've had what others might call love
You say it's over now,
What's done, what's through?
You can't stay away, you need me
I need you

When the fire starts the pain's too much
For your mind
You need attention, what's good is only mine
I can cure the hunger that burns in your heart
Just come to me
I'll take you home

We'll walk in the shadows
By day we'll live in a dream
We'll walk in the shadows

You say you don't feel safe alone tonight
Cause you feel the pressure building in your head
Our secret's safe for one more night
But when the morning comes remember
I'll be with you

We'll walk in the shadows
By day we'll live in a dream
We'll walk in the shadows
One day you'll be with me
If only you believe...

27 de outubro de 2009

Fiat justitia et ruat caelum



Há algo maior que o poder.
Se chama justiça!
...
O que aqui se faz, aqui se paga.
Pode acreditar.
...
"Planejar a infelicidade dos outros é cavar com as próprias mãos
um abismo para si mesmo" (Chico Xavier)

25 de outubro de 2009

Memories...



Desenganos, expectativas frustradas,
Sentimentos confusos
Às vezes, me sinto culpada por ter acreditado...
Por ter te esperado
Mas, ao mesmo tempo, imagino que não tivesse acreditado...
Não teria vivido.
A felicidade se alcança através dos riscos
E foi somente por isto que arrisquei.
Ah... Você que não conheço...
Que não me deixaste conhecer
Talvez, não fosse tão importante te conhecer.
Por que não me interessa!
Me interessa o que vi em você...
Que foi o teu ser!
Gostei de você assim, cheio de mistérios e limitações.
Nunca me senti enganada, porém me sentia sozinha.
Tantas palavras ditas em vão...
E não foste capaz nem de me olhar nos olhos
Sei que minha natureza é selvagem, tenho o espírito livre.
Que não se deixa escravizar
Seria unicamente sua por que eu queria ser
Por que há algo em ti que me amarra sem me aprisionar.
Você sabe... Tudo que fiz, fiz por querer.
E faria tudo novamente, se fosse preciso...
...Se preciso fosse, para te ter
Mas... Apesar de tudo, você iluminou minha vida.
Aqueceu meu coração.
Me despertou algo bonito, forte, verdadeiro em todos os sentidos.
Uma chama ardente que brilhou na escuridão
Apesar dos pesares, não vou lamentar...
Você foi um sonho lindo e será uma bela saudade
Te enganas, se pensas que vou te odiar..
.



“I am here, but my heart will always be there with you...”


(By Morgana)

20 de outubro de 2009

Erotic Dreams


Vejo-te em meus sonhos mais insanos
Lá você me toca e meu corpo queima...
O encontro dos nossos lábios desperta os meus desejos mais ardentes
Teus olhos mostram um brilho rubro quando se voltam para mim, você vem para mim...
E em único impulso toma minha nudez e me acaricia com seus braços de fogo...
Possui-me de maneira imperiosa, irracional, devassa, extrema em tudo, apaixonante como se nunca tivesse visto nada igual.
Eu te recebo em meu corpo, sinto você me invadir...
Com gritos, gemidos e suspiros silenciosos nos tornamos um só...
No êxtase do prazer, envolvidos em um abraço nossos corpos suados se rendem exaustos...
E nos lançamos nos lençóis molhados e marcados pela nossa lascívia...
...Acordo sentindo a sua falta.
Em meus sonhos você me tem com poucas palavras.
Lá saboreamos o pecado, profanamos a moral hipócrita, somos tão grandes quanto os deuses!
Vontade do seu toque, do seu beijo, do seu corpo junto ao meu.
Vontade de você...
Quero-te... Assim...
Intensamente...


(By Morgana)

16 de outubro de 2009

A Donzela


A Donzela representa a juventude, a vida em flor, se traduz em uma mulher inocente, mas também sedutora que reconhece o seu poder sexual. Ela retrata o nosso modo irreverente, sendo considerada a "virgem". A palavra virgem no sentido primitivo, significava "não casada", ou seja, aquela que não tem marido, portanto, o termo "virgem", usado em relação às deusas antigas, não tinha o significado atual. Podia, portanto, ser usado perfeitamente para uma mulher que já tivesse tido experiência sexual e podia até, ser aplicado a uma prostituta.

A deusa-virgem é aquele aspecto da mulher que não foi afetado pelas expectativas sociais e culturais, determinadas pelo sexo masculino. O aspecto da deusa virgem é uma pura essência de quem é mulher e daquilo que ela valoriza. Ele permanece imaculado e não contaminado, porque ela não o revela, pois o mantém sagrado e secreto, ou porque o expressa sem modificação para refutar os padrões masculinos.

Conforme descreve Esther Harding em seu livro "Os Mistérios da Mulher" que: "a mulher que é virgem, uma em si mesma, faz o que ela faz não por causa de nenhum desejo de obter poder sobre o outro, nem para atrair seu interesse ou amor, mas porque o que faz é verdadeiro. Suas ações podem, de fato, ser não convencionais. Pode dizer não, quando seria mais fácil, mais adaptado, convencionalmente falando, dizer sim. Mas como virgem ela não é influenciada por considerações que fazem com que a mulher não-virgem, casada ou não, se acomode e se adapte à conveniência".


(Texto retirado do site: www.xamanismo.com)